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Histórico de Notícias


23 / 06 / 2010

Globalização da água

O crescente Mercado internacional de produtos e serviços implica um Mercado de água virtual, o qual dá a água um caráter de recurso global


Atualmente, a sociedade é cociente da mudança climática e de seu caráter global. As emissões locais de gases de efeito estufa influenciam na temperatura global do planeta aumentando a evaporação dos recursos hídricos e mudando as pautas de precipitação. Entretanto, existem outros fatores que também afetam profundamente os sistemas hídricos causando a perda de água subterrânea como é o consumo e a contaminação da água devido à atividade humana nos setores industriais, domésticos e agropecuários.

Sendo estas considerações se introduz o conceito de Vestígio Hídrico o Water Footprint (hoeskstra, 2002): indicador da aprovação dos recursos hídricos não só tem o uso direto de um consumidor, como também o uso indireto.

Vestígio hídrico per capita das nações mais consumidoras de água1

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O vestígio hídrico de um produto se define como o volume de água doce necessário para produzi-lo, tendo em conta toda a cadeia de fornecimento (conteúdo virtual de água de um produto). Divide-se em três componentes de caráter multidimensional, pois todas elas devem ser especificadas de maneira geográfica (localização do consumo) e tempo.

Componentes do vestígio hídrico:

- Azul: volume de água doce extraído de águas superficiais e subterrâneas, utilizado e não devolvido ao lugar de origem.

- Verde: volume de água fluvial armazenada no solo e evaporada.

- Cinza: volume de água contaminada como resultado dos processos de produção. Define-se ao volume da água adquirido para assimilar a carga de contaminação na base dos stantands de qualidade de água existente.

O consumo e a contaminação da água estão associados à produção de bens e serviços que são consumidos pela sociedade e a estrutura da economia mundial que os fornece. O crescente mercado internacional destes produtos implica, portanto um mercado de água virtual, o que dará a água um recurso global.

O impacto sobre os sistemas hídricos de um produto final somente pode ser calculado, tendo em conta sua cadeia de produção e conhecimento da localização de cada uma das etapas.

O argumento pode ser ilustrado, exemplo: O consumo de algodão da União Européia. A roupa de algodão usada pelos cidadãos europeus tem sido processada pela indústria têxtil da Malásia que importaram previamente algodão puro da China Índia e Pakistan.

Observa-se que o fornecimento de algodão da União Européia depende principalmente dos recursos hídricos da Índia. Se focarmos no componente azul, o impacto maior é em Uzbekistan do que na Índia, deduz-se que os habitantes da União Européia contribuem indiretamente e inconscientemente à diversificação do Mara Aral.

Impacto nos recursos hídricos do consumo de algodão da UE25 (Mm3/ano). Período : 1997-2001.2

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Esta situação nos faz pensar em certas formas de compensação para reverter às causas hídricas causadas pelo nosso consumo em pontos do planeta. Este conceito de compensação do vestígio hídrico ainda não está bem definido. Atualmente, recomenda-se centrar-se no ponto da prevenção e na redução e à compensação, por último.

O comercio internacional consequentemente o comercia da água virtual pode atuar como peça chave para redução do vestígio hídrico do planeta. É possível conseguir uma economia de água, se for economizado nos países de alta produtividade de água (baixo conteúdo em água virtual nos seus produtos) e paises com menor produtividade em água (alto consumo em água virtual de seus produtos) aproveitando as vantagens competitivas de cada país em cada setor, pois nem todos necessitam o mesmo volume de água para produzir um determinado produto.

Ahorro neto de agua asociado al mercado internacional de productos agrícolas. Periodo 1997-2001.33

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comercio virtual da água pode melhorar a eficiência do uso de água no mundo, porém este mercado somente será sustentável se os preços dos bens exportados reflitam a manifestação do impacto ambiental negativo. Ao contrário dos países importadores não assumiriam os custos do esgotamento de água causados pela produção externa dos bens consumidos.

Está última idéia nos permite pensar em um futuro mercado de compensação. Se o preço de um produto ou serviços incluir uma taxa econômica associada ao consumo de água realizado em sua produção, esta redução poderia ser invertida em projetos que contribuam ao uso mais sustentável da água. Este mecanismo poderia funcionar em dois caminhos diferentes: mediante a redução hídrica do planeta, como exemplo, incluindo melhoras nas técnicas de regas ou reduzindo as perdas nos sistemas de distribuição da água, ou mediante a melhora da qualidade da água com a instalação de depuradores.

O “imposto” relativo ao consumo da água no solo deve se estabelecer em função do vestígio hídrico do produto, de qualquer forma, deve-se incluir ou contabilizar a perda hídrica do lugar onde foi produzido o consumo. As conseqüências sociais, econômicas e ambientais não são as mesmas se consumirmos bens produzidos em regiões com amplos recursos hídricos que em lugares onde a perda hídrica é acusada. Um mercado de compensação justa e eqüitativa deveria incluir também este último fator no preço do produto.

A consolidação de um mercado de compensação do vestígio hídrico não poderá ser alcançada sem a implicação de todos os setores afetados: governos, comunidade científica, consumidores e produtores. Serão necessários acordos globais baseados em idéias como protocolos de taxação de água, etiquetado de produtos e sistemas de permissão de consumo para avançar em uma gestão global da água sustentável e eqüitativa.

1 Hoekstra, A.Y., Chapagain, A.K.(2007) 'Water footprints of nations: water use by people as a function of their consumption pattern, Water Resources Management 21(1): 35-48.

2 Champagain, A.K., Hoekstra, A.Y., Savenije, H.H.G. and Gautam, R. (2006) “The water footprint of cotton consumption: An assessment of the impact of worldwide consumption of cotton products on the water resources in the cotton producing countries, Ecological Economics 60(1): 186-203.

3 Chapagain A.K., Hoekstra A.Y., Savenije H.H.G (2005) “Saving water through Global trade”, Value of Water - Research Report Series Nº17, Unesco-IHE